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www.itajaionline.com.br - 16/11/17 -------- clique aqui para ler a coluna anterior

Crônica 376 – O Bullying e Consequências

As vítimas de bullying normalmente sofrem ataques, ameaças e assédios sozinhas. Às vezes são agredidas diante de colegas, com humilhações que afetam a estrutura emocional. Muitas das vítimas não dizem aos pais, com medo de recriminação e não compreensão do momento vivido e, com isso, em sua alma uma raiva ou um pavor poderá ser lembrado na fase adulta, com prejuízos à sua capacidade de enfrentamento das diversas situações profissionais ou de relacionamentos amorosos e sociais. Pensamentos de fuga das situações, desenvolvendo a procrastinação para evitar dificuldades, surgem sem explicação. O medo gerado faz com que o agredido sofra tanto, com a possibilidade de ter que enfrentar novamente o ambiente, que para eliminar esse desespero mental pode recorrer ao suicídio.

As vítimas desse tipo de intimidação por vezes não encontram apoio de seus colegas e podem se retrair com sentimento de vingança. Criam desejos de destruir os agressores e, num determinado momento, podem explodir com uma energia brutal, agredindo fatalmente as pessoas, como são os casos noticiados nas manchetes dos meios de comunicação. Poucos encontram coragem para defender seus colegas, com medo de também serem agredidos e depois ficam com sentimento de culpa por não terem agido. Muitos vitimados do bullying fingem que nada aconteceu e não contam para ninguém, escondendo sua lembrança de vergonha e de fraqueza, reprimindo seu ódio e desejo de vingança.

O perpetrador da ação nefasta, o bullier, se prevalece da fragilidade do outro para aumentar seu poder de domínio e de força, tendo prazer na humilhação de alguém para valorizar seu ego. Talvez queira, inconscientemente, transferir o que é seu, como forma de descarga de seus próprios medos, de reconhecimento de sua pouca competência pessoal. Procuram, assim, favorecer uma estrutura a seu favor, demonstrando uma personalidade agressiva para se destacar no grupo em que está inserido. O bullier desenvolve habilidade em usar um poder social contra os colegas mais fracos, com o objetivo de fortalecer sua própria posição. Isto tem se manifestado em prisões, bases militares, facções riminosas, organizações sociais e escolas, com ênfase na hierarquia, gerando cenários de abuso em busca de destaque individual, domínio e poder.

Os pais, cuidadores e professores devem ficar alertas, observando comportamentos indicadores suspeitos, como resistência inexplicável para ir à escola, medo ou ansiedade incomuns, distúrbios do sono com pesadelos, queixas físicas vagas, dor de cabeça, dor de estômago, micção espontânea e ânsia de vômito, principalmente nos dias de ir à escola. Observar também se pertences são perdidos ou avariados com certa frequência, isso pode estar ligado ao bullying. Colocar a criança em questionamentos complica ainda mais a situação. É preciso ser bom ouvinte e estabelecer empatia, procurando conversar sobre como é ir para a escola de van, ônibus, a pé ou de bicicleta. Permita que a criança tenha liberdade e tempo para contar suas experiências e jamais a culpe por qualquer coisa. Pergunte como ela se sente e entenda os sentimentos dela como uma mensagem importante, que precisa de análise e entendimento dos fatos.

Às vezes é necessário mudar de escola, pois a criança desenvolve um pânico incontrolável. O ambiente escolar pode se transformar numa tortura de intimidação física e psicológica, feita por alunos briguentos. Há também o fenômeno nefasto dos apelidos, boatos e fofocas que tanto prejudicam e ferem sensivelmente a estrutura humana. Essa forma de violência deixa marcas dolorosas nas vítimas e nos agressores, ficando na mente uma criança assustada e impotente que um dia se revoltou e passou a ser agressiva, para se proteger dos maus tratos, residindo no adulto, arrependimento e vergonha pelas travessuras da infância.


Dia 21/11/2017 - Palestra no SESC BC - Grupo Vidas – 19h00
Depressão na Maior Idade e a Inteligência Emocional

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA O CURSO DE PSICANÁLISE EM FLORIANÓPOLIS

Antonio Lopes
Psicanalista Didata
Professor e Coordenador do Curso de Psicanálise

(47) 9923 4913 (TIM) / 2125 4913 (res.). / 9914 1145

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