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Por trás do Mito dos Vampiros

Existiriam mortos-vivos perambulando pela terra bebendo sangue? Ou existe explicação racional para o vampirismo? O historiador e pesquisador de cemitérios David Pescod investiga o assunto

Quando Arnold Paole foi atacado por um vampiro, sabia o que deveria fazer para salvar a sua alma. Seguiu o ser até a sua sepultura, atravessou uma estaca no seu coração e esfregou o sangue em seu corpo. Muitas vezes tinha que contar sua aventura aos aldeões, arrancando-lhes admiração. A vida seguiu normalmente até que foi enterrado no cemitério local. Então Paole ressuscitou.

Os aldeões começaram a reclamar de que eram molestados por Paole e começaram a encontrar cadáveres ensangüentados. Propagaram-se rumores de vampirismo e foi enviado um grupo do exército austríaco para que investigassem o ocorrido. Desenterraram o corpo de Paole e o que viram confirmou os temores.

Os oficiais informaram que Paole estava "inteiro e sem estar em estado de decomposição... havia sangue fresco saindo de seus olhos, nariz, boca e orelhas; as velhas unhas de suas mãos e pés haviam caído e haviam crescido outras novas. Por todos este motivos, deduziram que era um vampiro. Atravessaram-lhe o coração com uma estaca... soltou um gemido audível e sangrou abundantemente".

Este é um dos numerosos casos de vampirismo registrados nos anuais dos oficiais austríacos desde 1730. Intitulado Visum et repertum (visto e descoberto), no relatório são detalhadas outras exumações e uma "epidemia de vampirismo". Algo havia ocorrido aos aldeões em seus estado de post mortem. Porém, poderia realmente ser vampismo?

As Crenças Modernas

Um apesquisa realizada pela Universidade da Califórnia revelou que mais de 27% dos norte-americanos acreditam que os vampiros existem. Caso tivesse sido perguntado sobre a aparência dos vampiros, provavelmente os teriam descrito parecidos com os personagens que aparecem em inúmeros filmes, cuja origem está no romance escrito por Bram Stoker, Drácula.

Este vampiro é descrito como sendo um aristocrata que se sente sexualmente atraído por ambos os sexos, aos quais também atrai. Durante o dia permanece em um caixão de seu castelo; mas a noite, tem o poder de voar e aparecer para beber sangue. Tem pavor de cruzes, alho e luz.

Contudo, exite um outro tipo de vampiro, o popular, que se encontra nos relatos históricos da maioria das culturas.Os atributos deste vampiro são muito diferentes dos que são descritos nos meios de difusão, estando bem distante da aristocracia: o vampiro popular seria um simples camponês.

Diferente de seu contraponto refinado, o vampiro popular reside em um cemitério, normalmente sem caixão. Enquanto que o vampiro refinado aprecia seu estado de "morto-vivo" e viaja grandes distâncias para buscar mais vítimas, o vampiro popular odeia sua condição e nunca vaga além de seu povoado. A diferença entre ambos é tão grande, que pode-se dizer que o vampiro aristocrata e o popular nunca se tratariam socialmente.
Para entender porque existe uma crença universal no vampiro popular, é necessário retroceder apenas 200 anos, à uma época em que as causas de muitas doenças eram um mistério e a decomposição de cadáver pouco entendida. As pessoas acreditavam que a doença e a morte eram a vontade de Deus. Porém, de vez em quando, surgiam situações que faziam suspeitar que forças sinistras estavam atuando.

Mortes Misteriosas

Este era o caso quando uma pessoa aparentemente saúdavel morria subidamente,tanto em circunstânicias misteriosas como por uma falha cardíaca, uma enfermidade infecciosa ou uma embolia. Naquela época a explicação encontrada, culpava o sobrenatural dessas mortes: um vampiro havia absorvido a vida da pessoa para manter seu estado de morto-vivo, dessa forma ele convertia essa pessoa em um outro vampiro.

Os cadáveres deviam ser exumados e examinados em busca de sinais como a regeneração da pele, o crescimento das unhas e dos dentes, uma constituição robusta e orifícios ensangüentados. Outros sinais que identificavam um morto-vivo eram os ruídos e gases expelidos por este.

Hoje em dia, o processo de putrefação de um corpo é bem conhecido. Contudo, no passado o que ocorria com um cadáver depois de ser enterrado estava rodeado de mistério. O que os caçadores de vampiros consideravam como provas de um estado de morto-vivo era na realidade a decomposição típica de um cadáver.

Quando um cadáver de decompõem, em seu interior se formam gases que fazem com que ele inche e fique com uma aparência robusta. Os genitais também se enchem de gás e, nos homens, o pênis ereto em um corpo em decomposição poderia ter sugerido que ainda existia uma boa atividade sexual.

Uma vez que o cadáver era considerado oficialmente um vampiro, se empregavam vários métodos para que seu espiríto pudesse descansar em paz. O mais popular consistia em cravar uma estaca em seu coração, o que acabava desencadeando uma descarga explosiva de fluídos e gases, provocando ruídos. Em muitas comunidades o coração era retirado, o corpo queimado e suas cinzas jogadas em um rio.

Se o fenômeno não desaparecia, devia ser feita uma invetigação em busca de mais cadáveres que apresentassem sinais de mortos-vivos. Os métodos de caça aos vampiros, variavam de nação em nação, porém era sempre iniciando uma busca que podiam garantir que encontrassem mais vampiros.

Epidemias de Vampiros

Uma enfermidade infecciosa e mortal em um povoado acabava, portanto, tendo como resultado, uma proliferação de vampiros, especialmente se muitas pessoas tivessem tido contato com cadáveres em estado de decomposição, enquanto eram destruídos.
É evidente que as obervações efetuadas estavam corretas: o morto adquirira um tamanho maior e parecia mais saudável que em vida. Parecia que nele havia crescido uma nova pele e que possuía unhas, dentes e cabelos mais compridos; estava sempre cheio de sangue fresco que vertendo pelo nariz, boca e outros orifícios e em certa ocasiões o morto-vivo grunhia e expelia gases.


Porém a interpretação dos fenômenos é que estava errada. Sem uma explicação científica para o que era observado, se torna compreensível que a crença nos vampiros tenha se estendido por tantas culturas quando na realidade tentavam explicar a doença, a morte e a decomposição de acordo com suas próprias experiências.

REALIDADE MÉDICA OU FICÇÃO VAMPIRÍSTICA?!

Uma comparação entre relatos de testemunhas oculares de vampirismo, retirados de Visum et Repertum, com nossos atuais conhecimento de medicina, demonstra que o vampirismo poderia vir da intensão de se compreender os mistérios médicos e as mudanças post mortem.

1) "...chupou seu sangue..." A característica mais marcante de um vampiro são seus caninos. Clinicamente, esta condição é provocada pela displasia ectodérmica hipohidrótica, uma disfunção genética que faz com que os dentes cresçam de forma que a maioria deles fiquem mais curtos e retos dando aos caninos um aspecto mais comprido e cônico.

2) "Quem for morto por um vampiro se tornará um vampiro". No passado, quem apresentasse sinais de ter sido atacado por um morto-vivo, podia esperar se converter em um vampiro. Muitas doenças cutâneas geram lesões parecidas à mordidas que, para muitos aldeões do séc. XVIII, deveria ser a prova concreta de que um vampiro estava à solta.

3) "...esteve se alimentando da carne". Os doentes de morféia, uma infecção cutânea que produz lesões de cor violeta no lábio inferior, poderiam ter sido confundidas com bebedouros de sangue.

4) "A meia-noite, ela se incorporou bruscamente...". Os vampiros são notívagos, por serem extremamente sensíveis à luz. Porém existem muitos estados clínicos que produzem fotossinsibilidade em um ser vivo, como a porfíria, a Síndrome de Sezary e a erupção, lumínica polimorfa. A pele costuma ser normalmente pálida e sua exposição à luz provoca enrubescimento e inchaço. Em certos casos, a pele cria bolhas, racha e morre.

5) "As velhas unhas haviam caído...e em seus lugar haviam crescido outras novas...". As unhas podem desprender-se dos dedos de um cadáver, porém em seu lugar jamais crescem outras novas. O que acontece é que depois da morte, os músculos se enrijecem eriçando os pêlos e contraindo a pele ao redor das unhas e dos dentes, dando a impressão de crescerem.

6) "A pele das mãos e dos pés se desprendeu... (deixando descoberta) uma pele fresca e viva." Para as testemunhas presentes, o cadáver considerado vampiro havia adquirido uma nova pele. Estavam certos só que pela metade: quando um corpo se decompõe, a epiderme se desprende deixando a derme descoberta, o que poderia ser confundido como surgimento de uma nova pele.

7) "Ela surgiu com um corpo surpreendentemente roliço e perfeito." Durante as supostas epidemias de vampiros, eram exumados muitos corpos na intensão de se acharem os culpados. Quando eram encontrados cadáveres rosados e roliços, se costuma atravessar seus corações com estacas para então cremá-los. Na realidade o inchaço era produzido pela formação de gases no interior do corpo e a coloração rosada se devia ao escurecimento do sangue ao ser decomposto por bactérias.
Acredite se quiser
Os psicólogos definiram o vampirismo clínico como uma atração sexual pelo sangue. A Síndrome consiste em uma atração compulsiva pelo sangue e um interesse anormal pela morte, que se manifesta na necessidade de beber sangue durante as relações sexuais e também na necrofilia. A Síndrome é rara, porém serve para mostrar que os vampiros realmente estão entre nós:
· Tracey Wigginton bebia sangue de amante durante o sexo. Porém, em 1989, chegou a matar para beber sangue, apunhalando Edward Clyde de 47 anos e bebendo sangue de suas feridas
· Em 1992, o brasileiro Marcelo Costa de Andrade matou e bebeu o sangue de 14 meninos acreditando que com isso se tornaria mais belo.
· A jornalista Susan Walsh desapareceu em julho de 1996 enquanto investigava uma seita de vampiros adolescentes em Nova York. Antes de desparecer, havia revelado que eles bebiam sangue humano.



 




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